Acidentes, #MeToo e “ameaça” a Dave Grohl: as histórias de Jeff Tweedy

by - November 22, 2018

Jeff Tweedy em ação durante show do Wilco, em São Paulo (SP) - Foto: Liliane Callegari


CHICAGO — Qualquer pessoa em sã consciência diria que Jeff Tweedy está muito mais para Bob Dylan e Neil Young do que para Kim Gordon e Johnny Ramone. Certo? Bem, concorde ou não com essa afirmação, em seu livro de memórias, Let’s Go (So We Can Get Back): A Memoir of Recording and Discording with Wilco, Etc. (Dutton), um dos maiores compositores americanos da atualidade lembra mais o estilo da ex-baixista do Sonic Youth e do guitarrista dos Ramones em suas respectivas autobiografias – A Garota da Banda e Commando – do que o dos músicos aos quais é mais frequentemente associado.

Tanto Dylan (em Crônicas – Volume 1) quanto Young (em Neil Young – A Autobiografia), escreveram suas memórias em uma linha do tempo que viaja pelos anos e décadas conforme lhes convêm, pouco preocupados com datas e a exatidão dos fatos, e muito mais interessados no impacto e nas sensações que o texto provocaria nos leitores – como era de se esperar dos grandes compositores que são, aliás.

Como escritor de prosa, Jeffrey Scot Tweedy (nome de batismo), por sua vez, vai direto ao ponto. Na maior parte do tempo, o autor segue linearmente os acontecimentos e revela “causos” de seus 51 anos de vida, desde a infância em Belleville – uma cidadezinha de 40 mil habitantes no estado americano de Illinois –, aos anos de juventude nos quais cruzava os 30 minutos que separavam sua terra natal de St. Louis (Missouri), onde assistiu a shows de X e The Replacements, entre outras bandas fundamentais de sua formação, no palco do Mississippi Nights. A região também foi onde o músico deu seus passos iniciais na carreira, primeiro na banda The Primatives, e, depois, como baixista do Uncle Tupelo.

Ainda assim, o livro, embora tenha passagens convencionais, busca inovar na linguagem em diversos momentos – Tweedy compartilha antigas letras de músicas, situações são contadas em formato de história em quadrinhos, diálogos entre o cantor, a esposa e o filho Spencer são relatados na íntegra, entre outros truques editoriais que mantêm o leitor interessado e fazendo aquilo que lhe cabe: virar as pouco mais de 300 páginas da obra de forma voraz.

Leia a resenha completa no site Scream & Yell.

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