Neil Young, Everybody Knows This Is Nowhere

by - May 14, 2019



Em 1969, Neil Young estava surfando una buena onda, como diriam nossos hermanos. Após o fim do Buffalo Springfield, na metade de 1968, o músico canadense sacudiu a poeira e seguiu em frente, trabalhando incansavelmente em busca de reconhecimento.

Além de se juntar ao supergrupo Crosby, Stills and Nash, o guitarrista lançou nada menos que dois discos em 1969: o primeiro, intitulado simplesmente Neil Young, foi sua estreia solo, gravado ainda em 68. Meses depois, ele já estava pronto para mais um registro: entre janeiro e março de 69, juntou-se pela primeira vez ao Crazy Horse – banda formada por Danny Whitten na guitarra, Billy Talbot no baixo e Ralph Molina na bateria – para gravar Everybody Knows This is Nowhere.

Indiscutivelmente um dos melhores discos da carreira de Young, Everybody... abre com “Cinnamon Girl”, uma composição simples e com a pegada que caracterizaria os grandes momentos de sua música, mesclando a sujeira do rock de garagem com a suavidade do country. A letra fala de uma suposta admiradora da banda e da vida de um grupo de rock.

Após a faixa-título e a delicada “Round and Round”, em que Young divide os vocais com a ex-namorada Robin Lane, vem um dos grandes clássicos do mestre: “Down By The River”, um épico guitarrístico de 9 minutos em que o músico desfila todo seu estilo e mostra ao mundo o que é capaz de fazer com a Old Black – guitarra adquirida no ano anterior e que se tornaria marca registrada de Young ao longo dos anos. “Toquei a Old Black em todas as faixas que pediam guitarra elétrica”, escreveu em sua autobiografia, editada no Brasil pela Globo Livros, a respeito de Everybody Knows this is Nowhere.

Sobre a desconcertante frase “eu dei um tiro no meu amor”, Young fez questão de deixar claro que a letra não deveria ser interpretada literalmente. No livro Neil Young, a história definitiva de sua carreira musical, de Johnny Rogan, o compositor defende a ideia de que a letra diz respeito a uma ruptura, ao fim de um relacionamento. “É um apelo, um grito de desespero”, revelou Young.

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O lado B é igualmente inspirado. A country “The Losing End” traz mais uma triste história de um amor que não termina bem. “Running Dry (Requiem for the Rockets)” começa com mais lamentações – mas desta vez não é Young quem se deprime sozinho. O violino de Bobby Notkoff dá o tom da canção, antes do cantor iniciar os versos lamuriosos em que pede ajuda por estar vivendo sozinho e precisar conversar com alguém.

Para fechar o disco em alta, mais um clássico eterno da carreira de Young: “Cowgirl in the Sand”, outra faixa épica – desta vez com mais de 10 minutos de duração – que mostra todo o poder de fogo da Crazy Horse. Poder esse que ainda seria evidenciado mais de uma dezena de vezes em disco e em centenas de shows mundo afora – inclusive com uma apresentação histórica no Rock in Rio de 2001.

A canção é uma das quatro do álbum – ao lado de “Everybody Knows this is Nowhere”, “Cinnamon Girl” e “Down by the River” – que foram escritas por Young no mesmo dia, com o músico sofrendo uma febre de 39,5 °C. Imagina do que ele não é capaz quando está com a saúde em dia.

O disco foi produzido por Young e David Briggs – o segundo de uma parceria de longa data, que durou até a morte do engenheiro de som, em 1995. Foram 19 trabalhos realizados juntos, sendo o mais recente Hitchhiker, gravado em 1976, mas lançado apenas em 2017.

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