Água verdadeira

by - August 01, 2018


Foto: José Reynaldo da Fonseca - REFON

PROMISSÃO, SP  Em Tupi, “Ti” significa “água” e “Etê” quer dizer “verdadeiro”. Dificilmente outro nome seria mais adequado para batizar um caminho repleto de águas tão intensas, capazes de fazer tamanha diferença na vida de milhões de pessoas no estado de São Paulo. Quem o observa de fora pode pensar que o Tietê é apenas um rio poluído que cerca a capital paulista, sem ter a noção de sua vastidão e importância para o País e para todos os colaboradores da AES Brasil.

Ao cruzar os céus e as estradas do estado de São Paulo, sempre se tem a sensação de estar próximo – ou ao menos sob a influência – do Rio Tietê. Seus 1.150 km de extensão banham 62 municípios – incluindo a capital –, exercendo grande impacto social, ambiental e econômico sobre a população. Desde sua nascente, em Salesópolis, próximo ao litoral, até o ponto em que deságua no lago formado pela barragem de Jupiá, no rio Paraná, o Tietê carrega consigo mais do que as formas de vida submersas em suas águas – é também o sustento da população ribeirinha e a fonte de trabalho de seis usinas hidrelétricas instaladas ao longo do rio, sendo cinco da AES Tietê: Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão e Nova Avanhandava.

Atividades diversas ocorrem em sua trajetória: pescaria profissional e amadora, lazer, turismo, transporte de cargas e, claro, geração de energia elétrica.
Não é piada
Passear de barco pelo Tietê é uma das atividades disponíveis para quem visita a região de Barra Bonita. Um anúncio de uma empresa de turismo tenta convencer seu público-alvo a respeito dessa possibilidade afirmando que “não, não é piada”. A má fama do rio é justificável, devido ao alto nível de poluição do trecho que chega à capital, mas não se confirma para quem o conhece mais de perto. E as alternativas de lazer não param por aí: a pesca amadora e a canoagem são outras opções oferecidas aos visitantes.
As prefeituras locais também criam opções para quem vive nas cidades do entorno do rio. Pequenas praias artificiais, com estrutura para preparar um churrasco e curtir momentos de alegria com amigos e familiares, são comuns nessas localidades. A água cristalina, calma e de pouca profundidade é um convite para quem gosta de nadar e se refrescar. Os municípios de Barbosa e Buritama, entre outros, são exemplos de cidades que dispõem desse tipo de praia.
Por um Tietê mais limpo

Existe uma perspectiva de que o rio Tietê diminua seus índices de poluição. Desde 1998, está em andamento o Projeto Tietê, desenvolvido pela Sabesp (empresa responsável pelo fornecimento de água, coleta e esgoto de 366 municípios no estado de São Paulo). O objetivo do programa é coletar e tratar os esgotos de cerca de 18 milhões de pessoas na região metropolitana da capital, melhorando as condições ambientais e de saúde pública.

O projeto, no entanto, é realista. Em sua terceira fase de execução – que vai até 2015 – não há esperança de que peixes voltem a habitar as águas desta parte do rio, ao menos no curto prazo. Tampouco se espera o retorno de um passado glorioso, quando era possível praticar esportes como o remo, realidade para os habitantes de São Paulo até os anos 50. Porém, de acordo com o site oficial do Projeto, foi possível construir estações que recebem os esgotos coletados e devolvem os tratados ao meio ambiente. Os benefícios foram notados no interior do estado, a partir da redução da mancha poluidora e o retorno da pesca, o que indica a importância das obras de saneamento ao desenvolvimento econômico e social.
Rio Tietê é "tudo" na vida dos pescadores
A pesca é uma das atividades profissionais mais importantes que ocorrem no Tietê. Dagoberto Lopes de Oliveira é um entre as centenas de pescadores que buscam sua subsistência nas águas do rio. Atuando na região há mais de três décadas e meia, “desde os 10 anos de idade”, ele embarca em uma pequena jangada por volta da meia-noite, diariamente. “Nesse horário a turbina da usina acalma e podemos soltar a rede”, explica. Até as 6h, seu instrumento de trabalho fica submerso, atraindo espécies variadas de peixe, como a Curvina e o Porquinho, que depois são comercializados em uma banca, sob os cuidados de seu sogro.
Não é uma vida fácil. Na época da Piracema – período de 1º de novembro a 1º de março, em que determinadas espécies fazem a migração do rio para completar o ciclo de reprodução –, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) interrompe a pesca para espécies nativas, permitindo apenas que os peixes exóticos sejam retirados das águas. Com isso, o órgão busca preservar essas espécies, que precisam se reproduzir e se desenvolver antes de serem pescadas. No entanto, o dia a dia dos pescadores se torna ainda mais duro. “O Governo Federal ajuda com um salário mínimo nessa época”, conta o pescador.
Mas, precisando se sustentar e ainda pagar a faculdade da filha, a remuneração de cerca de R$ 500 mensais não é nada mais que uma pequena colaboração governamental para as famílias que perdem sua principal fonte de renda durante quatro meses do ano. Ainda assim, Dagoberto revela que o rio Tietê é tudo na sua vida. “Com certeza é o rio que mais dá peixe, e vai continuar dando. Seria bom se o Governo e as empresas ajudassem mais, criassem mais programas de piscicultura”, sugere. Para ele, o trabalho realizado pela AES Tietê na região é fundamental. “É importante, muito bem feito”, analisa.
AES Tietê faz a sua parte
Para manter a subsistência dessas famílias, é essencial que as empresas instaladas na região ofereçam condições de realizar seu trabalho. A AES Tietê conta com uma série de programas de sustentabilidade para permitir que o meio ambiente e as comunidades que vivem às margens do rio possam continuar sua rotina.
Dentro dos programas de manejo das bacias hidrográficas, a AES Tietê executa a pesca científica. A atividade – documentada e licenciada pelo Ibama – consiste em capturar peixes desde a forma de alevino (jovens) até a idade adulta, para análise dos seus hábitos. “O objetivo é manter a pesca nos reservatórios operados pela empresa, o que tem um impacto econômico e social”, pondera o analista de Meio Ambiente da AES Tietê, Silvio Carlos Alves dos Santos.
Um dos resultados concretos deste trabalho é a reintrodução da Piracanjuba nas águas do Tietê. A espécie, que esteve extinta por 30 anos em São Paulo, em função de mudanças no ambiente aquático, está começando a ser reinserida. A empresa trabalha somente com peixes de Piracema. “Com a construção das barragens, o ciclo foi interrompido, então certas espécies foram prejudicadas. Algumas conseguiram se adaptar, mas nem todos os reservatórios ainda têm características que favoreçam a desova. O Pacu-guaçu e a Piracanjuba, por exemplo, não se reproduzem espontaneamente”, explica Silvio. Para facilitar esse processo, a AES Tietê desenvolve um trabalho de piscicultura na Usina Mário Lopes Leão (próxima a Promissão-SP), por meio do qual induz a reprodução dessas espécies (mais detalhes na Revista Ligado nº 28, de abril/2010).
Entre outras atividades relacionadas ao programa de sustentabilidade da AES Tietê, destacam-se o acompanhamento da pesca amadora na Usina Nova Avanhandava, o monitoramento genético das espécies para seu correto repovoamento no rio e o resgate de peixes que ficam “presos” nas turbinas das usinas, que são reinseridos nas águas do Tietê. Frequentemente, crianças também visitam as usinas, para se educarem a respeito da importância de preservar a água e consumir energia elétrica de forma racional. “É nossa obrigação como cidadãos e como empresa. Nossa atividade não causa perda na qualidade da água, não traz prejuízos físicos e químicos, estamos conscientes a respeito do impacto que podemos ter na sociedade. Trabalhamos para não impactar negativamente a vida das pessoas”, diz o gerente de Meio Ambiente da AES Tietê, José Luiz Simionato.
Como não cuidar bem de um recurso natural tão importante para a vida de tantas pessoas e tão impactante nos negócios do Grupo? Além da extensão de sua bacia hidrográfica, outro fator determinante para o valor que o rio tem para a AES é o período chuvoso do Tietê em sua cabeceira, que ocorre de novembro a junho. “Isso contribui com uma afluência média constante para a geração de energia em cinco usinas, garantindo em torno de 35% da energia assegurada da AES Tietê”, revela o gerente de Operações, Antônio Carlos Garcia.
Tilápia é sucesso em Nova York
A influência do Rio Tietê extrapola fronteiras. Até mesmo Nova York, a chamada “capital do mundo”, recebe um impacto – positivo – daquilo que o rio tem para oferecer. A tilápia vermelha é uma das espécies cultivadas em uma fazenda localizada no noroeste do estado de São Paulo, em Santo Antônio do Aracanguá, a 510 km da capital. O filé do peixe está sendo exportado para os Estados Unidos. A cada semana, os nova-iorquinos recebem nada menos que três toneladas de tilápias fresquinhas, embarcadas apenas um dia antes. Um dos pratos preparados com o peixe é o filé de tilápia à milanesa com alcaparras.
Você sabia...
Que os primeiros “habitantes” das regiões ao entorno do rio foram os índios tupiniquins, kaiapós, guaranis, kaingangs e painguás?
Que em 1930, 150 empresas já jogavam lixo no Tietê?
Que a AES Tietê conta com 326 colaboradores?
Que o Tietê serviu como inspiração para a cartunista Laerte criar a série em quadrinhos “Piratas do Tietê”, em que piratas sanguinários navegavam pelo rio causando caos nas cidades do seu entorno?
Que o rio possui 19 afluentes, entre eles, os rios Pinheiros, Jaú, Bauru, Dourado, Piracicaba e São Lourenço?
Que as cinco usinas da AES Tietê ao longo do rio contam com eclusas – mecanismos que abrem caminho para as embarcações passarem – integrando a hidrovia Tietê/Paraná? O rio é um importante corredor de carga e turismo para o estado de São Paulo.
Que no ano de 2009 a AES Tietê totalizou a geração de 14.517.923,90 MWh, sendo que a contribuição das Usinas do Rio Tietê foi de 4.913.693,00 MWh?
Que para operar uma usina é necessária a mão de obra de 20 colaboradores?
Que, considerando a potência instalada total, cada colaborador gera 8,1 MWh? E que considerando a energia contratada (energia assegurada), cada pessoa gera em torno de 4,1 MWh?
Que 1 MWh é suficiente para abastecer 3.144 residências, considerando a média de 229 KWh/mês por residência com uma família de quatro pessoas?
Que a Usina Água Vermelha, considerando sua energia assegurada em KWh/mês, abastece 2.345.502 residências?
Matéria apurada presencialmente às margens do rio Tietê, no interior de São Paulo (SP), e publicada na Revista Ligado, da AES Brasil, editada pela Santo de Casa, em 2010.


You May Also Like

0 comments